25 de outubro de 2011

Parece Complicado. E é!

Sempre tive opiniões sobre maternidade (paternidade), educação de filhos. Sempre tive crianças por perto: primos bem mais novos, irmãos de colegas, vizinhos, alunos, sobrinhos...  Observava as diferenças entre eles, tanto de personalidade quanto de criação/educação, e lógico que tirava minhas conclusões. 
Até você se tornar mãe (pai) tudo parece fácil, simples, mil teorias habitam sua mente.
Desde que me vi grávida comecei a pensar sobre isso, me questionar, dúvidas foram surgindo, um certo pânico também. Você quer fazer o melhor, quer fazer o certo. Mas qual é o certo mesmo?
Continuo pensando que o certo é procurar fazer o seu melhor, porque não há fórmula, não há manual, nem curso intensivo. Cada um tem seus próprios limites.
Assim como permaneço pensando e defendendo que educação nunca é demais. Nunca. E diálogo e tolerância são importantes sempre.
Muitas coisas que meus pais fizeram eu discordo em gênero, número e grau, e sei que não farei igual porque sei os resultados gerados. 
E algumas coisas estão enraizadas, pretendo seguir. Por exemplo? Bem, meus pais nunca precisaram levantar a mão para qualquer um de nós quatro, um olhar dizia tudo. Sempre soubemos que casa de tia (o), ou de amigos não é nossa casa. Jamais mexemos em algo seja em que lugar for. Nem na estante da nossa sala, na mesa de centro, nos armários nós mexíamos. Nosso território era nosso quarto. Quando nos dirigíamos à pessoas mais velhas dizíamos (e é assim até hoje, será sempre)  "senhor/senhora", nunca "você".  Aprendemos muito cedo a dizer "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "por favor", "com licença", "obrigado". Assim como aprendemos a respeitar as pessoas independente de classe, credo, raça... Crescemos sabendo que só há uma raça, a raça humana. E todos são iguais.
Eu e meus irmãos tivemos a participação ativa dos meus avós maternos em nossa criação, eles sempre moraram conosco (no princípio eu e meus pais morávamos com eles), nos viram nascer e crescer. Palpitavam e agiam em tudo.
Se por um lado eu discordo desse tipo de coisa, por outro agradeço à eles muito do que sou, porque foi neles que me espelhei. Pessoas simples, saídas do interior do Rio (leia-se roça), que vieram tentar uma vida melhor na cidade e conseguiram. Compraram a tão sonhada casa própria,  preciso salientar que era uma linda e confortável casa de vila no Méier. Casa onde nasci. 
Meu avô era mestre de obras, pegava no "pesado", mas de luvas para não machucar as mãos, nem estragar as impecáveis unhas limpas, cortadas e lixadas. A barba tinha que estar bem feita, estilo militar, podia passar algodão que deslizava. Cabelos sempre baixinhos, perfumado, relógio no pulso. Jamais vi meu avô chegar do trabalho sujo. Ele levava uma maleta com toalha, sabonete, e a roupa de trabalho. Ia e voltava limpo e cheiroso.
Minha avó, analfabeta funcional, não deixava de fazer as unhas semanalmente, fios de cabelo branco não ficavam expostos, mantinha a tintura em dia. Tenho absoluta certeza que dela herdei a mania de limpeza. Para minha avó tudo devia estar sempre limpo, cheiroso e brilhante.
Pessoas simples, mas de imensa sabedoria, educação. Ensinaram muito do que eu e meus irmãos sabemos, e até hoje diante de algumas situações nos pegamos dizendo: se minha avó estivesse aqui isso seria diferente, isso não teria acontecido.
Mas tiveram erros, erros que vejo se repetirem em tantas outras famílias, em tantos outros casos. Erros que não permitirei que aconteçam na minha casa.
Porque uma coisa ficará explícita desde sempre: a mãe sou eu. Eu educo, eu corrijo, será do meu jeito (e do pai). Na minha casa mando eu.
Não me meto, não palpito na educação do filho de quem quer que seja, espero no mínimo que a recíproca seja verdadeira.
Lidar com pessoas íntimas parece complicado. E é. 
Vejo situações em relação aos meus sobrinhos que não permitirei que se estendam ao João Miguel.
Sei que não será fácil, não será nada fácil. Renderá estresse, aborrecimentos, cara feia, tititi, talvez até discussão, babado, confusão e gritaria (esse último gostaria de dispensar, pois grito é o cúmulo da deseducação).
Eu e Anselmo temos ideias, pensamentos parecidos (graças à Deus) em relação à educação do filhote.
João Miguel comerá e beberá o que nós pais permitirmos. Enquanto bebê não quero que ele experimente açúcar (até porque ele tem refluxo e o açúcar só piora). Nada de açúcar no suco, no leite, no chá. 
Também não quero que ele coma "de tudo", haverá restrições sim! Nada de refrigerantes, biscoito recheado, salgadinhos, doces, doces, muitos doces. 
Lógico que ele não será criado em uma bolha. Lógico que conforme for crescendo irá conhecendo os alimentos (nutritivos ou não) que existem, tomará sorvete, comerá batata frita, um copo de refrigerante com hambúrguer... Mas tudo ao seu tempo. Não apressarei nada.
João Miguel saberá o que é alimentação saudável (até porque é o que comemos aqui em casa): carne, frango, peixe, legumes, verduras, frutas, suco natural... Porque eu e o pai achamos por bem ser assim.
A criança precisa saber que há hora pra tudo.
Sabe aquele famoso ditado: "é de pequeno que se torce o pepino"? Acredito nele.
É de pequeno que se educa, se molda o caráter, se ensina limites.
Tenho verdadeiro horror de criança que grita, responde todo mundo, bate boca, xinga, se sente em casa em qualquer lugar, interrompe enquanto outras pessoas estão falando, se mete na conversa alheia, adulta. Tenho pavor dos pequenos monstros que surgem hoje em dia, agredindo professores, desrespeitando idosos, disseminando preconceitos raciais, sociais, religiosos, sexuais... Exercitando a covardia com animais, com crianças menores, deficientes. 
Discordo quando dizem que filho não se cria, se educa, que o que se cria é bicho. Filho a gente cria e educa. São nossas crias.
Meu filho terá limites. Porque amar também é saber dizer "não", é impor limites. Amar é educar.
Claro que errarei, errarei muito. Pecarei talvez por excesso, não por ausência. Mas aos poucos tudo se ajeita.
Infelizmente isso implicará em mudanças bruscas aqui em casa, porque as pessoas confundem educação e gentileza com fraqueza, acham que sou uma boba. Não gosto que fumem dentro da minha casa, Anselmo é fumante, mas jamais fumou dentro de casa (ou de qualquer outra casa) ou perto de mim, nem cinzeiro temos, ele fuma na área e joga as cinzas na lixeira. Ele também não gosta que fumem na sala, na cozinha, seja onde for. As pessoas não compreendem, não respeitam. Ele já avisou que começará a pedir descaradamente que a pessoa acenda seu cigarro no quintal.
Não esperarei mais que os pais digam à criança que ela não pode alterar o volume da televisão, mudar o canal... só porque ela gosta de brincar com o controle remoto, assim como também não pode colocar os pés calçados em cima do sofá, nem limpar as mãos sujas nos braços do sofá ou cadeiras, não pode subir pra brincar na minha cama forrada, muito menos pedir tudo o que vê.
Não quero que João Miguel imite, siga os mais velhos nas demonstrações de falta de educação e limites.
Eu e Anselmo já "ouvimos" dizer que somos neuróticos, que traumatizaremos a criança, que João Miguel será insuportável... E tantas coisas mais.
Espero mesmo que ele seja insuportavelmente educado, sem ser bobo, que saiba impor suas opiniões e ideias com caráter, respeito e dignidade. Que tenha o mínimo da educação e classe da mãe (sem falsa modéstia) e o caráter do pai.
Parece complicado. E é. Mas não é impossível. 
Faremos o nosso melhor. Carregaremos e usaremos as bagagens que trouxemos da infância, da adolescência. Usaremos experiências dos "mais velhos". Mas acima de tudo seremos nós os pais.
Palpiteiros sintam-se à vontade. Podem dizer o que quiserem. Se vamos ouvir já é outra questão. Até porque somos do tipo que só dá opinião quando solicitado, só nos metemos onde somos chamados, e olhe lá! Então se pedirmos opinião bem, se não pedirmos e quiserem dar assim mesmo, bem também. Somos bons em ignorar intrometimentos.




Fonte: Google Imagens

10 comentários:

  1. Bom dia Carine querida, vim ler essa maravilha que vc escreveu com todo o seu coração e me enxerguei nessa fase que também passei, tantos planos no primeiro filhote, tantas reflexões, tanta ansiedade, mas pense que Deus abençoará e na prática, terá o seu filho concretamente cheio de vida, e pelo qual seu coração e do seu esposo, saberão conduzir, a criança suscita muitas reações não programáveis, que terão sempre que ser repensadas, o limite é uma forma de amor, o simples olhar, a observação da criança e a fé em Deus, abrirão portas para um entendimento e uma educação baseada na transparência, e no diálogo aberto de quem quer muito amar e está aprendendo ainda,portanto a flexibilidade tem que ser vivenciada também, Saragoza tem um texto que diz assim, "Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como almar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo." beijos, desculpe o tamanho do comentário, com carinho da Eva

    ResponderExcluir
  2. Ai amiga! Como se parece comigo! E seu comportamento terá consequências, claro! Os outros? ah os outros...muitos torcem o nariz no início e depois até admiram...outros jamais entenderão e te julgarão como neurótica e que seu filho é mimado! Mas a melhor consequência que vc terá será o João Miguel crescer lindo, educado, feliz e admirado por muitos outros que enxergam e valorizam uma criança saudável em todos os aspectos!

    ResponderExcluir
  3. Não é à toa que seu texto foi parar no Portal Educação em Foco, Cá! Está realmente ótimo o seu texto! E eu concordo com vc!
    E ainda te digo que realmente não é fácil, mas não desista, viu?! Pq vai ter momentos de cansaço, sim! Momentos em que vai dar vontade de jogar tudo pro espaço. Mas nesses momentos, vá tomar um banho e esfriar a cabeça pq passa.
    Sabe onde acho que já errei MUITO com a Sofia e ando corrigindo agora (ainda bem q tá funcionando)? No 'voltar atrás'... vc diz "arruma seu quarto ou eu guardo seu brinquedo favorito" e a criança larga lá a bagunça... vc arruma e ainda deixa o brinquedo. A criança vai saber q pode abusar rs.
    Sofia abusa de mim! Mas estou corrigindo!
    E, sim! A educação do João Miguel é dada por quem cuida sempre! Vc e Anselmo! Fiquem firmes!
    Beijos

    ResponderExcluir
  4. A linha q separa mimo e cuidado, educação e limite é muito tênue. Cacaia nasceu e morou 2 anos na casa dos meus avós. Ela já sabe barganhar o mimo q eles dão e que a minha mãe dá e sempre q voltamos para nossa casa ela chora, mas logo volta ao normal. Sempre pergunto a ela se ela quer mesmo ficar la´para smepre e não morar conosco.
    Nunca tive q interferir na questão de educação qdo ela está na casa deles ou da minh mãe no ES, pq mesmo com os mimos eles têm noção qdo o limite extrapola e beira à falta de educação e eles mesmos corrigem.
    É difícil o retorno, mas a mensagem, o olhar e a fala firme fazem com que ela se situe e no fim das contas ela não faz a troca qdo faz manha para voltar para casa.
    Se fosse ruim ficar com mãe e pai de fato ela prolongaria essa maha.
    O negócio é confiae no taco e sim, deixar bem claro quem é que manda.
    E com os erros programamos os futuros acertos.
    Adorei esse post.
    Beijos coletivos, na família.

    ResponderExcluir
  5. hahahahaha
    Carine, eu estou rindo aqui, sozinha...e sabe porque eu estou rindo? Porque quando a gente vira mãe de primeira viagem a gente planeja uma série de coisas pro filho e lhe digo com a experiência: METADE DESSAS COISAS A GENTE NÃO FAZ! KKKKK
    Sei que vc está super certa em tudo o que colocou aqui. Eu também sou rígida com os meninos. Se vc vier na minha casa, vai pensar: Pôxa! Não é uma casa com dois moleques?
    Sim, porque minha casa sempre foi e sempre está organizada. Eles foram educados assim, a não mexer em nada! Nunca tive que esconder bibelôs, nem colocar minhas coisas em cima de um armário para que eles não mexesse. Meu pensamento sempre foi: O mundo não deve se moldar aos meus filhos. Meus filhos é que devem se moldar ao mundo.
    E é nisso que quero falar aqui. O mundo está aí Carine, para ser provado, pelo bem ou pelo mal. Thi não bebeu coca-cola até que foi apresentado ao mundo, infelizmente. rs Isso foi com 2 aninhos quando ele foi pra escolinha. Lá, apesar dos mil pedidos de várias mães, sempre tinha aquela festinha X em que serviam refrigerante...e quando eu percebia, lá estava aquele toquinho de gente tomando coca-cola quase que escondido....hahahahaha
    Portanto, tem coisas que vc terá que tapar os olhos mesmo. Outras, concordo com você, tem e deve sempre ensinar e enfatizar! O importante, amiga, é vc relaxar e dar muito, muito amor! Só com amor é que se cria e que se educa!
    Bjs

    ResponderExcluir
  6. Carine,

    Você está coberta de razão. Mas tenha calma, não se preocupe com isso ainda, curta seu momento sem ficar pensando em como vai ser. Seu filho será aquilo que você demonstrar. Quanto as doces e guloseimas, sempre fomos assim com o Felipe, mas também sempre tem uma amiga ou parente que chega com coisinhas diferentes. Meu filho foi comer salgadinho há 2 anos atrás na casa da avó, e nem adianta brigarmos porque faz parte do processo conhecer tudo e escolher o melhor. Hoje quando ele vai no mercado com o pai, chega e diz, mãe, compramos uma corrupção (doce).
    Não é fácil realmente, mudei muito a forma como pensava, endureci em algumas coisas e amoleci em outras e sempre o medo do certo ou do errado está presente. Preste muita atenção no que incentiva, quer um exemplo, o Tiago nunca disse não para o Felipe sem explicar timtim por timtim o porque, hoje ele quer explicação de tudo e o Tiago perde a paciência porque o nível de argumentação do menino está evoluindo, então volta e meia tem estresse que preciso resolver entre os dois, como sempre fui mais rígida, digo que não e pronto, sei que é condenado por muitos, mas como pais não temos que explicar tudo, tem coisas que eles não tem que saber ou não entende, então nessas horas mais preocupantes entro em ação, esclareço e sai cada um para o lado bravo.
    Beijos

    ResponderExcluir
  7. 100% de acordo. Fui criada com limites, nunca fuxiquei em nada na casa dos outros e até hoje me comporto assim. Educação nunca é demais. Nunca apanhei. Minha mãe diz que morre de tristeza, pois nunca precisou dar uns tapas em mim, nem pareço filha dela:0 Bjs.

    ResponderExcluir
  8. Oi flor, existe aquela famosissima frase que diz que junto com um filho nasce uma mãe, então ignore os intrometidos e com certeza vc vai tirar de letra a educação do seu filhote....

    Bjsss

    ResponderExcluir
  9. Oi amiga, hj tô matando as saudades dazámigas....
    passando pra dar um beijinho e me deparo com esse post longo e engraçado....
    Amiga se prepare viu?
    Xeu te contar, meu filho tem 7 anos, e até hoje não gosta de pudim...(até to fazendo um posto sobre isso, será o proximo) porque? pq evitei muito eles comerem certos alimentos.... tendeu? isso é bom ou ruim? não sei, agora que eles comem skiny, bolachas recheadas e alguns chocolates.... não sãos meninos de sorvetes, nem de chocolates, nem de balas, nem de guloseimas, mas.... já estão com 7 e quase 4 anos....
    Mas como vc disse, cada um cuidando dos seus como entende ser melhor né?

    beijos

    ResponderExcluir
  10. Oi,flor vim conhecer seu blog,menina que blog legal,adorei e ja virei sua seguidora,te convido para conhecer meu blog e me seguir tbm se gostar né,bjus
    http;//blogdasonhagleide.blogspot.com

    ResponderExcluir