14 de janeiro de 2014

Maternidade é doce, mas não é mole não

Um dia você descobre que será mãe. Nossa, que tudo!! Mil felicidades (amor no coração, que a sua vida seja sempre doce emoção), milhões de planos e a certeza de que tudo será lindo, tudo será incrível, tudo dará certo, e o que for difícil haverá de ter uma saída milagrosa.
O bebê chega, altera toda rotina da casa, como um tsunami modifica sua vida, e tudo é realmente lindo, incrível, mágico até. A gente cansa, fica esgotada, mas feliz da vida. 
Então o bebê cresce, começa a andar, falar, pedir as coisas, mexer em tudo, escalar móveis, fazer pirraças. Mas também faz trocentas gracinhas ao dia, joga beijo, dá piscadinha, canta, dança, chama para brincar, ilumina tudo quando sorri.
Até o dia em que você olha para o seu filho e se pergunta a onde foi parar aquela criança doce, tranquila que vivia ali com você. Os dias se transformam em caos eterno, há birra, choro e grito por qualquer motivo. Você descobre que não há saídas milagrosas. Você vai à exaustão.
Pois é, ser mãe é muito, muito bom, mas também enlouquece.
Você precisa manter a casa limpa, organizada, comida pronta, roupa lavada, contas pagas, e recolher brinquedos, trocar fralda, tirar o filho de cima de algum lugar, dar banho, brincar, tomar o próprio banho, pentear os cabelos. Ufa! Não é fácil.
Costumo dizer que eu sabia que não seria fácil, mas não imaginei que seria tão difícil.
É extremamente cansativo e difícil educar, orientar outro ser humano. Ainda mais quando esse ser humano é responsabilidade sua, depende de você para tudo e ainda não tem juízo.
João Miguel fará dois anos essa semana, disparou a falar, pedir e escolher o que quer, está cheio de gracinhas, mas também cheio de atitudes, birras e constantemente testando nossos limites. Não, eu não acredito em "terrible two", acredito que a vida é cheia de fases e essa é só mais uma no desenvolvimento do meu filho, no crescimento dele. E crescer não é moleza.
Meu filho é extremamente teimoso desde sempre, daqueles teimosos perigosos porque ele pode se machucar seriamente ao teimar em fazer algo.
Também é genioso, cheio de personalidade. E se eu não começar a impor limites agora só Deus sabe como será depois. Mas para impor limites também é preciso bom senso, ele ainda é um bebê, não posso exigir mais do que a compreensão que ele tem, não posso tratá-lo como uma criança maior, não posso aplicar castigos. Viram como é difícil?
Há alguns meses começaram birras homéricas, daquelas que nunca imaginei presenciar dentro de casa, daquelas que podia jurar que filho meu não faria. Ele não só grita e esperneia quando se sente contrariado (o que acontece inúmeras vezes ao dia) como também atira os brinquedos pelos ares. 
Na sua casa também tem sido assim?
Acredite, eu entendo o seu desespero. Já conversei, expliquei, chamei a atenção, sentei e chorei. Já me achei uma droga de mãe, tive a certeza que estou fazendo tudo errado. Já pensei no "cantinho do pensamento", mas confesso que não curto muito porque ele ainda não tem o entendimento necessário para administrar isso.
Ultimamente quando ele atira algum brinquedo eu recolho tudo, o deixo sem nada para brincar na sala. Espero uns minutos, ele acalma e eu devolvo um só. Tem funcionado, mas não sei por quanto tempo.
Algumas pessoas dizem que é natural ele ser assim, que os pais são geniosos e ele não seria diferente. Mas eu não acho a mínima graça. Ser genioso é uma coisa, ser mal educado é outra e se não começar a limitar agora é isso o que vai acontecer: falta de educação.
Tem dias em que consigo "aguentar o tranco", chamo a atenção, falo sério, firme, não cedo a chantagens emocionais, ignoro a birra. Mas sou humana e tem dias em que quase piro.

                                                               Imagem via google

Semana passada eu gritei, pela primeira vez. Gritei mesmo, com vontade, porque passou dos meus limites. Depois me senti mal, envergonhada, uma louca descontrolada. 
Lógico que eu sei que gritos não resolvem, não educam. Mas não deu. 
No dia em que gritei com ele fui pro banheiro chorar, ele ficou bem assustado, olhos arregalados, chorou sentido.
Depois passou, aconteceu, não sou a pior mãe do mundo por isso, talvez (com certeza) aconteça outras vezes, sou humana, não vou arrastar correntes por esse motivo. Posso me controlar? Posso. Posso evitar gritos? Claro. Mas se acontecer respiro fundo, tomo um café ou um conhaque e espero todos se acalmarem. Não amo menos meu filho por causa disso, apenas é cansativo administrar uma rotina (com zilhões de coisas envolvidas) com birras no meio.
Aposto que assim como eu, você querida mãe que também sofre, gostaria de encontrar uma solução tipo "Desbirration Tabajara", ou ser abduzida por alguns minutos. Eu queria incorporar um zen budista, entrar em alfa, em coma, sei lá.
Mas a realidade é outra. É preciso encarar a situação e aprender a lidar com ela.
Eu ainda não sei bem como agir, é verdade. Não sei mesmo lidar com criança pirracenta, é meio frustrante. Mas não é impossível.
Porém saiba que pirraça é normal, comum, eles ainda não sabem lidar com as emoções, não administram os acontecimentos, tudo é o fim do mundo. Não se envergonhe nem se culpe, não há nada de errado com seu filho nem com você, siga confiando no seu instinto, siga educando, explicando, jamais desista.
Há mães que juram que seu (s) filho (s) nunca fez nada parecido: nem birra, pirraça, um choro mais alto, uma respostinha na ponta da língua, nada, nadinha. Desconfio que ou elas possuem bonecos reborn, ou não conhecem os próprios filhos (criação terceirizada saca?), ou seguem a seita 'Pinóquius é nóis'.
Façamos como nos grupos de ajuda: um dia de cada vez. E por favor não ceda a tentação de cortar os pulsos com a faquinha do rocambole, elas cortam de verdade, e dói pra caramba, meu dedo que o diga.
Ah, já contei que ele agora rabisca as paredes? Bem, deixa pra lá, isso é assunto pra outro post. Não quero apavorar vocês.

                                                                    Imagem daqui 
         

3 comentários:

  1. Menina!!
    Acabei de ler minha autobiografia!!!
    Exatamente assim que acontece aqui em casa, só que em dose dupla! As Claro que os meus são maiores (5 anos e 7 meses e 2 anos e 7 meses), mas as dúvidas que eu tenho são as mesmas,,, Sinto que sou a pior mãe do mundo às vezes, choro, me desespero, acho que vou pirar, penso que estou fazendo tudo errado..
    Outras vezes, quando eles me surpreendem com alguma gracinha ou delicadeza, ou mesmo quando conversam e repetem nas brincadeiras as coisas que falo zilhões de vezes, sinto que estou fazendo a coisa certa...
    Na verdade, os endereços mudam, as crianças são outras, mas nossas duvidas, as birras e as manhas de nos deparamos todos os dias são as mesmas!!!
    Amei teu post porque vi que não estou nessa duvida sozinha!!
    beijos!
    Carla Patricia
    http://pathyarteira.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Opa!!! Acho q toda mãe normal se identifica com o post! kkkkk
    O complicado mesmo é qndo já passou da idade dessas pirraças e elas continuam... Sofia agora tá tomando ares de moça e as birras estão diminuindo. Quer dizer... estão sendo substituídas por atitudes pré-aborrescentes! SOCORRO!!!! kkkk
    Eu já gritei demais! Já bati (no descontrole, mas não pra machucar)! E depois chorei, me senti a real merda de mãe (nem é mãe de merda)... fiquei péssima! Tenho mudado a minha atitude, dizendo uma vez só as coisas q precisam ser ditas. A partir disso, algo é tirado dela. Olha... não é mole! Mas é o q vc falou: impor limites agora pra não ficar mal educado!
    Beijo e... FORÇA!!! rs

    ResponderExcluir
  3. Amiga querida! Me identifiquei por antecipação. Alice completou 1 ano e desde os 8/9 meses se mostra geniosa. Lucas sempre foi muito tranquilo, Bia tb. Alice veio para abalar as estruturas em todos os sentidos! Se joga pra trás e grita qdo não atendida, grita qdo quer algo, grita, grita, grita. Mexe em tudo e nem anda sozinha ainda. Já prevejo o terremoto na calmaria desse lar! hahahaha.
    Bjooooo pra vc e pro JM lindooooo!!!

    ResponderExcluir