5 de setembro de 2014

Eleições: babado, confusão e indiretas.

Ano eleitoral é isso: babado, confusão e gritaria. E em tempos de redes sociais: babado, confusão, gritaria, indiretas, unfollow e alfinetadas.
Eu sei que tudo em excesso é horrível, cansa, enjoa, irrita, me sinto assim muitas vezes com determinados assuntos. Porém política é muito mais que candidato, voto, discurso, promessa, obra... muito mais. 
Política é o dia a dia, a vida em sociedade, a cordialidade, a polidez com a sogra, aturar o cunhado, suportar a visita ou a festinha chata por enes motivos envolvidos. É o saber resolver um problema na escola do filho sem pegar a professora e a diretora pelos cabelos e chacoalhar até elas entenderem que é absurdo seu filho ser agredido pelos coleguinhas todos os dias. É saber convencer seu marido que o rombo no orçamento mensal nem foi tão ruim assim, afinal você só comprou o fundamental para a sobrevivência da família.
Política é ler, escutar, estar informada sobre o local onde você mora: bairro, cidade, estado, país, continente. É ter conhecimento do que tem sido feito para a sociedade.
Saber política vai além de saber o nome da esposa do candidato tal, quantos filhos o senador fulano tem, o nome da amante do vereador beltrano, a cor do batom da deputada.
Política é conhecimento para a vida, é importante, deveria ser ensinada na escola, deveria ser exercitada diariamente desde a infância. E deve ser falada, vivida diariamente.
Eu não lembro de uma eleição presidenciável ter sido tão comentada, divulgada quanto a desse ano. Não lembro de ter visto em eleições anteriores as pessoas divergindo, discutindo e até brigando tanto.
Em parte sei que é por causa das redes sociais, tudo é mais dinâmico, "ao vivo", propagado. E parte penso que seja porque estamos exaustos de tanta intolerância, tanto preconceito, tanto "chefinho mandou".
A grande questão esse ano é votar em quem? Dilma Rousseff tenta a reeleição, não foi grande coisa sua gestão, mas já vi piores. Aécio Neves é neto do famoso Tancredo e isso é o que de mais divulgado ele tem sobre si mesmo. Conversei com amigos mineiros e o que sei é que em Minas o povo não morre de amores por ele. Por fim temos Marina Silva, a ruralista que defendia o meio ambiente, exaltava a importância da educação, das riquezas brasileiras, deu uma "despirocada" e agora se dedica a propagar a homofobia, frisar que o brasil está um caos porque as pessoas não vão a igreja (?), e de quebra pegou gancho no acidente fatal do ex governador Eduardo Campos - candidato à presidência - se intitulando "A escolhida".
O que eu tenho presenciado é: pouco se fala do Aécio, muito se fala da Dilma e da Marina.
Há os que odeiem o PT, a Dilma, e defendam votar na Marina por isso. Há os que bradam que Marina é perseguida por ser evangélica. E há os que não votam na Marina porque não batem palmas para maluco dançar, eu estou nesse grupo.
Dia desses uma pessoa postou no Facebook que o Brasil nunca foi estado laico, nunca será, a igreja sempre palpitou em tudo, e as pessoas só não gostam da Marina porque ela é evangélica, porque os evangélicos são sempre perseguidos.
Concordo que o Brasil nunca foi e nunca será laico. Mas discordo totalmente desse discurso neurótico com mania de vitimização sobre os evangélicos. 
O que eu sempre vi/escutei/soube a vida inteira é que quando as pessoas perguntam sobre sua religião (e sempre perguntam) esperam sempre escutar: católico ou evangélico. Caso você responda ser espírita, budista, agnóstico, judeu... receberá em troca olhares de espanto seguidos de alguma crítica e a "dica" sobre sua religião ou a ausência dela ser inadequada e blábláblá. Depois disso as pessoas se afastam, passam a te evitar. Isso acontece em 80% das situações. 
Ultimamente pipocam nos veículos de informação notícias sobre alunos impedidos de entrarem nas escolas por estarem usando guias de umbanda/candomblé; terreiros invadidos e saqueados, incendiados; pessoas sendo expulsas de suas casas (sim, colocadas para fora) por serem espíritas.
Sem contar os inúmeros agredidos, humilhados, assassinados diariamente por serem homossexuais. E então?
Eu não tenho problema algum com religião ou a ausência dela, porque tenho por princípio que isso é algo particular e não me diz respeito. Religião, para mim, não é prova de nada.
Pouco me importa se Marina Silva é evangélica, muçulmana ou hare krishna. Não voto nela porque não apoio o preconceito, e ela é o preconceito personificado. Não voto nela porque ela tem como apoiadores Silas Malafaia e Marco Feliciano que dispensam apresentações.
Não voto em Marina Silva porque um Fernando Collor é mais do que suficiente.
Conheço muitos evangélicos que não votam na Marina, que estão engajados em fazer campanha contra ela, que estão assustados com a dimensão dos preconceitos, dos discursos dela.
Então fica mais do que claro que o problema não é ser ou não ser de determinado seguimento religioso.
E por fim: não voto na Marina. Porque não.

Um comentário:

  1. Dispensa qualquer comentário. Foi perfeito!
    Concordo em gênero, número e grau com tu. do!

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