12 de novembro de 2014

Hora de ir para a escola ou sobre mães que sofrem

Quem me conhece sabe o que eu penso sobre ensino infantil, idade escolar, escola. E sabe que sou uma mãe descontrolada apegada, que adora ter o filho por perto.
João Miguel fará 3 anos em janeiro e estreará no mundo escolar. Meu bebê terá experiências, vivências e pessoas novas em seu universo.
Tudo isso parece lindo, fácil, poético, mas não é. Não para mim. E por mim ele só iria para a escola com dez quatro anos.
Porém ser mãe, entre muitas outras coisas, é aprender que o filho não é uma extensão nossa, é uma pessoa com personalidade própria, com vontades, necessidades, preferências. E João Miguel quer ir para a escola, foi um pedido dele ao ver os vizinhos passarem na rua com mochilas e uniformes, e ele ficava encantado sempre que passávamos por alguma escola.
Confesso que não aceitei essa ideia assim, imediatamente. Pensei, pensei muito, conversei milhares de vezes com o pai dele. E meu marido defende que ele precisa desse espaço, precisa conviver com outras crianças, precisa de experiências novas e será bom tanto pra ele quanto pra mim.
Discutida essa parte partimos para a procura da escola.
Para mim algumas coisas são fundamentais: segurança, experiência, base pedagógica.
Pautada nisso conversei com outras mães (a propaganda boca a boca é essencial), troquei ideias, pesquisei nos sites e visitei seis escolas. Dessas seis escolas ficaram duas. 
Das seis escolas duas atenderam aos requisitos que considero importantes. Nas outras encontrei "dia do aparelho eletrônico" no lugar do famoso dia do brinquedo, vi crianças de 4, 5 anos com tablets e notebooks, todos sentados, olhando cada um pra sua tela. Não havia interação, não se olhavam, isolados cada um no seu mundo, tão pequenos, tão crianças.
Encontrei escola cuja segurança deixa a desejar; professor que não te dá nem bom dia ao ser apresentado; diretora questionando sua religião ou ausência dela.
As duas escolas que "passaram no teste" me agradaram em tudo: segurança, professores, direção, limpeza, incentivo ao lanche saudável, entre outras coisas. E ambas respeitam cada fase infantil, sabem que criança tem que ser criança então aprender de forma lúdica nessa fase maternal/jardim de infância é o melhor.
Visitei todas as escolas mais de uma vez e em nenhuma marquei horário, cheguei de 'surpresa'.
O que me fez escolher qual delas então? João Miguel. Foi ele quem decidiu.
Na escola 1 olhamos tudo, passeamos por todos os lugares, ele gostou de tudo.
Na escola 2 também olhamos tudo, ele gostou, pediu colo à professora do maternal, brincou com as outras crianças (como se eu não existisse, ingrato) e chorou litros na hora de ir embora.
Outra questão que pesou na escolha foi a fralda. Ele ainda usa fralda, só pretendo começar o desfralde no verão e respeitando o ritmo dele. Jamais passou pela minha cabeça forçar qualquer coisa: desmame, desfralde. Passa tão rápido! E ele é um bebê, é um ser humano, precisa ser respeitado. E se eu tenho a opção da escola lidar bem com isso para quê pressionar?
Provavelmente ele não estará desfraldado ao iniciar as aulas (posso me enganar e ser tudo rápido) e conversei sobre isso nas duas escolas. A primeira escola disse que tudo bem, eles trabalhariam o desfralde com ele. A segunda escola disse que tudo bem, que o tempo dele tem que ser respeitado, pra eu não forçar nada, e que eles nunca viram crianças de 5, 6, 10 anos usando fralda porque não quiseram o desfralde.
Enfim, ele já está matriculado, já escolheu mochila e lancheira e está todo feliz.
O pai está orgulhoso do "bebê grandão" que vai pra escola, está empolgado com a lista de material escolar (deve ser o único ser humano que se empolga com lista de material) e adora falar sobre isso.
E ele está muito feliz, tirou foto sorrindo para a matrícula.
Eu estou dilacerada, sangrando, com o coração em frangalhos, mas vou sobreviver. 
Se ele estiver feliz eu também estarei, mesmo que seja fazendo análise.
Meu bebê está começando a dar seus primeiros passos sem mim. Que seja uma experiência bem divertida para ele.


                                                                    via

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