31 de dezembro de 2015

Enfim o recomeço.

Um dia eu cismei que queria um blogue. Eu sempre li blogues, acompanhei vários (alguns ainda acompanho), curtia mesmo essa energia que envolvia o mundo dos blogues e blogueiras. E um dia pensei: quero fazer isso também.
Pensei que seria bacana, divertido, interessante. E comecei. E parei. E voltei. E parei. 
Ter um blogue começou a parecer muito sério, muito intenso. Algumas pessoas começaram a competir, a topar tudo, a guerrear mesmo. Se você possui um blogue tem que fazer ele ficar famoso, tem que ser reconhecida, ganhar dinheiro e fama.
De repente já não era tão divertido. Tudo era ego.
Meu último post aqui foi em março (eu olhei), depois disso eu larguei o blogue e nem voltei mais aqui, segui acompanhando alguns de outros lugares. Abandonei mesmo.
Só que 2015 não foi apenas mais um ano, mais um altos e baixos, reflexões, tombos e aprendizados. Foi mais, muito mais. Tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou, coisas que eu nunca imaginei aconteceram, sonhos foram desfeitos, outros sonhos surgiram, planos foram alterados, mudanças gigantescas ocorreram. Muito cuspe caiu na testa. 
E posso dizer que esses dois últimos meses foram "Aqueles". Não sei exatamente quando, ou como, ou porquê, mas nesses dois últimos meses me vi a beira de um penhasco, apenas o precipício e eu. Eu pulei e mergulhei em mim mesma (poético não?), me vi como há tempos não via, me enxerguei, me escutei, me conheci.
E tomei coragem de me resgatar.
Há tempos anulei muita coisa, me anulei de certa forma. E quer saber? Isso é uma droga.
Cara, eu gosto de quem eu sou. Gosto muito. Então porque não ser eu?
Estou longe de ser perfeita (nem tenho tal pretensão), boazinha ou certinha, mas tenho caráter, princípios, essência. E nem gosto muito de diminutivos. 
Eu sei quem eu sou, Deus sabe. E me basta.
Tenho uma fé imensa, que me guia, me sustenta. Sem fé eu nada seria, sempre digo isso.
Em dois meses alcancei uma maturidade, uma força, um impulso que não consigo descrever, nem sei ao certo o que desencadeou, mas percebi que posso ser quem eu quiser desde que seja com verdade e de coração. E eu quero ser eu, apenas.
Quero ser a que não sabe andar descalça direito, mas adora terra, grama; a que não come nada com as mãos, come coxa de frango com garfo e faca (e não sobra carne no osso), mas come angu com couve, pão com ovo, sopa com farinha; a que tem uma educação esmerada, mas sabe ser sutil feito tsunami e tem pavio curto; a que adora um jeans, um short com havaianas; a que detesta visita fora de hora, gente que chega sem avisar e que fica pra dormir; a que não gosta de dormir na casa de ninguém; a que não gosta de ter sua rotina alterada; a que sente dor de cabeça se não beber café tamanho o vício, e é chata com café: tem que ser forte, pouco açúcar e muito quente; a que adora coxinha, mate e chocolate; a carioca que não curte praia e muito menos funk; a que é viciada em séries de TV, música e filme; a que ama ler, não pode ver letras e tem obsessão por papelaria; a que guarda mágoa, sofre com isso, jura que vai aprender a perdoar e não perdoa a si mesma; a que mata e morre pelo filho; a que é leal nas amizades; a que é dona de casa embora jurasse que jamais seria; a que está sempre estudando, aprendendo e muitas vezes nem sabe o porquê; a que faz mil coisas ao mesmo tempo; a que não para de pensar nem quando dorme; a que fala tanto quanto escreve e pensa mais rápido do que gostaria; a antipática, teimosa, rabugenta, impulsiva e explosiva; a que não tolera preconceito e detesta falta de educação; a que jamais casaria e está casada há nove anos; a que acredita no poder da oração, na energia das pessoas e dos lugares; a que chora com propaganda, sofre e passa mal com noticiários, defende seus ideais; a que não se apega fácil, mas desapega que é uma maravilha; a difícil; a turrona; a estranha; esquisita, muito esquisita.
Aprendi que minha essência não muda, nem minhas convivcções. E que para ser boa com as pessoas preciso ser boa comigo. Para viver honestamente tenho que ser honesta comigo. Tenho que me respeitar. 
Aprendi que sou eu quem tenho que mudar quando as coisas não mudam.
Aprendi que ou eu me aceito e luto por mim, ou nada terá sentido, nada terá vida. 
Aprendi que Deus ilumina e ampara, mas quem faz o caminho sou eu.
Aprendi que blogar pode ser divertido, leve e bacana se eu quiser que seja, se o blogue for como eu desejar.
Aprendi que não deixar a opinião dos outros mover minha vida foi a melhor decisão que tomei desde sempre.
Aprendi que me afastar, viver minha vida, meu mundo é o que me faz bem, e o que de melhor fiz por mim.
Aprendi que ninguém tem que entender ou aceitar minhas escolhas, porque elas só pertencem a mim.
Aprendi que as pessoas que pensam ou garantem me conhecer não fazem ideia de quem eu sou e para mim tudo bem.
Aprendi que posso ser eu, mais eu, sempre eu.
E é isso. Não sei se o blogue vai dar certo, se farei balé ou musculação, se terei outro filho, se faço outra faculdade, se aprendo física quântica pra valer, se, se, se...
Mas sei - e como sei - que estou me resgatando, me reconquistando, me amando, me fazendo feliz. Sei que tenho um filho espetacular, um marido cheio de defeitos, mas que me ama e topa tudo por mim, pra mim. Sei que tenho uma casa bacana, com obras a serem feitas, quintal que adoro, mas às vezes tenho preguiça de limpar, gatos e cachorros que não são meus, mas pensam que são. Sei que tenho um lar. Sei que tenho saúde e preciso prezar por ela. Sei que sou grata. Sei que sou mais eu.
Tudo novo de novo. 

                                                                                   Imagem We Heart It

Um adendo: tem blogueira que ganha dinheiro com o blogue, batalha pra isso, é reconhecida e não deixa de ser bacana, não perde a mão. Conheço. E essas eu sigo blogue, tenho no Facebook e no Instagram.

2 comentários:

  1. Que postagem emocionante..me deixou sem folego ao ler e disse tanto de mim tbm...nao sei o qye aconteceu mais esse meu ano foi mtu parecido com o seu, cheguei ao limite, ao extremo, mergulhei em mim,me descobri, tomei decisoes, estou tao feliz...

    Que 2016 estejamos ai com.nossos blogs, que continue intenso, que seja maravilhoso...

    Bjos

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  2. Adorei....todo mundo se sente assim, vi um pouco de mim. Parabéns pelo post.

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